De que maneira a Comunicação pode contribuir, ou não, com a sustentabilidade? A informação veiculada e acessada, filtrada, pode ajudar na mudança de comportamento? Como isso pode acontecer, de fato? Se formos verificar o volume de investimentos que governo e empresas realizam, para propagar programas e produtos, podemos supor que as contrapartidas em visibilidade, credibilidade e por conseqüência, consumo, apresentam retornos que satisfazem bem os interesses de uma das partes da cadeia, os investidores. Mas, e o consumidor, esta satisfeito? E a matriz de produção, tem sido preservada, cuidada?
É objetivo desse artigo despertar a atenção sobre forma, velocidade, conteúdos e resultados de comportamentos construídos pela mídia, através da propagação massiva de conteúdos, sob o olhar da sustentabilidade. Essa pesquisa é reforçada por depoimentos de especialistas e jornalistas sobre o cotidiano brasileiro, mostrando quão distante anda o discurso, generalizado, da prática. Onde a garantia da Vida se revela frágil quando observamos o caos em setores importantes como saúde, educação, transportes, moradia, emprego. Problemas sentidos de perto por quem mais o governo diz estar dando atenção: as classes média e pobre.
Entre especialistas em comunicação circula informações sobre a velocidade da propagação do conceito sustentabilidade e a necessidade de entender melhor o sentido profundo da expressão, usada massivamente sem a devida interseção harmônica nas escalas de produção. Mais do que significado, uma frase vale por seu efeito estético, moderno, linkado com uma realidade que insiste resistir aos desafios de mudanças de comportamento para a sustentação de sistemas fragilizados pela ganância, lucro fácil e rápido, desperdício de tempo e recursos, em nome de uma Vida frágil e ignorada.
Apesar do apelo ideológico difundido massivamente, com reforço diário do discurso da sustentabilidade, o conceito parece estar distante de práticas, ações, gestões, comportamentos, que levem equilibrio, harmonia, entre o que, como, e quanto se produz, na cadeia das atividades econômicas. Nesse contexto, como a Comunicação, o jornalismo, a publicidade, as redes sociais, as listas de discussões, os grupos virtuais, blogs, sites, entre outros, podem contribuir com informações, transversalizadas, contextualizadas historicosocialmente, para a construção de uma nova mentalidade, um novo jeito de pensar, fazer, se comportar, agir, mudar, no que tem se mostrado, demandado, como necessário e urgente?
De um lado vemos que os avanços da Ciência no prolongamento da Vida humana estão desconectados com a mesma fragilidade que essa vida se mostra em ambientes criminosamente impactados por essa mesma ação humana. Esse paradoxo entre as descobertas científicas e a preservação da Vida, num planeta que ainda estamos a conhecer, parece desconsiderar o tempo como o grande protagonista da História, que é determinada por ele. O homem pode viver 100, 110 ou mais, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, crianças que nascem, agora, não garantem o início da vida por falta de direitos simples, como poder dar o primeiro suspiro numa maternidade com as mínimas condições profiláticas para isso.
Estamos bombardeados de propagandas sobre produtos que causam obesidade, problemas cardíacos, diabetes, câncer e um sem número de doenças, diretas ou indiretamente relacionadas ao que consumimos. E não temos proteção para atendimentos médico, psicológico ou jurídico, necessários, decorrentes de comportamento construídos por uma mídia que parece focar apenas na sedução para a compra, desconectada com os resultados gerados pelo comportamento que a mensagem produziu no espectador, leitor, internauta, ouvinte, dentro ou fora de casa.
A televisão, por exemplo, entrou no mercado, nas lares, com força e poder para ditar comportamentos desproporcionais ao poder aquisitivo dessas famílias que se sentam, absortas, em frente a telinha. Vemos agora esse poder sendo dividido, compartilhado, distribuído para as redes sociais, onde esse mesmo poder da mídia veio ainda com mais força, com velocidade ainda maior, para transpor o tempo, agora imediato, real. A mesma competência que esteia o discurso da mídia verde vazia deve ser buscada com a inteligência exigida pela urgência que estar a querer a Vida, harmoniosa e sem pressa, como dever e merecemos ser.
Essa mídia apressada em estimular o consumo pelo consumo vem empurrando a Vida para uma correria para comprar carro para ficar preso em engarrafamentos, nas rodovias e centros urbanos. Acordar cedo para trabalhar fora de casa para pagar uma babá que também deixou o filho em casa para ir trabalhar, alimentando cadeias de vida insustentáveis. Se formos analisar o ciclo perverso sobre o trabalho das mães babás dos filhos dos outros, por exemplo, o custo social desse comportamento pode ser exemplo de diversos outros ciclos de via crucis da vida.
E dever da Comunicação estar atenta as condições sociais para garantia da Vida? Se for e sabemos que é, então não podemos fazer de conta que não vemos empresas propagando-se sustentável, sem ser, pois ao usar trabalho escravo, impactar o ambiente e não ter compromisso em cuidar, preservar, garantir condições para futuras gerações, não é sustentável. E, como disse o colega Andre Trigueiro, nós jornalistas, temos obrigação em dizer e mostrar porque projetos ditos sustentáveis, não o são, de fato. Claro que isso dá trabalho, precisa de investigação, coragem, e uma dose de ética que o mercado publicitário, e mesmo jornalístico, não parece estar interessado, em sua maior parte. Ter jornalistas que façam essa diferença nas redações e agora, nos blogs e mídias sociais, parece ser o caminho para aqueles que querem e acreditam no fazer como compromisso de mudanças.
Apesar da visibilidade midiática e da evolução do conceito: desenvolvimento sustentável, a realidade cotidiana demonstra, nos faz ver, perceber, sentir, registrar, que ações, de fato, sustentáveis, são difíceis de comprovar diante de realidades diárias sobre a natureza humana e ambiental. Essas faces do ambiente estão degradadas, violentadas, exploradas, impactadas. A sustentabilidade tem sido ênfase dos discursos, peças publicitárias, propagandas, falas de governo, empresas e ONGs. De forma competente e criativa percebemos o apoderamento do termo para surfar na onda do marketing verde vazio.
Quando alguém, um governante, um empresário, um representante de um instituto, ONGs, associação, diz que faz um programa dessa ou daquela maneira e não o faz, de fato, como anuncia, qual deve ser o comportamento da mídia?. O corporativismo, com certeza, é outro elemento dificultador. O medo de perder emprego, contrariar interesses, mais forte ainda. O compromisso com os efeitos da informação não parece ser prioridade na agenda, nem mesmo nos compromisso da academia.
A Carta da Terra diz que “devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura de paz. E, que para chegar a esse propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações”. Nesse contexto, é imperativo reforçarmos o saber como instrumento de construção, impulsão, para qualquer modelo, jeito de viver, que reforce a condição humana como frágil, limitada, diante do poder da Natureza, cujas facetas, climáticas, por exemplo, a própria Ciência ainda ignora, desconhece?
E, como a vida continua pautada no consumo, seja de idéias, fazeres e experiências, necessário e sensato, parece ser, adotar políticas, práticas, comportamentos, que alimentem a construção de cadeias de suprimentos onde, fornecedores, distribuidores, varejistas e consumidor final, estejam em harmonia, em sintonia, com as adaptações que o planeta, o ambiente, rural ou urbano, estar a nos exigir, para a garantia da Vida, em suas diversas formas.
Liliana Peixinho* - Jornalista, ativista, Fundadora dos Movimentos AMA – Amigos do Meio Ambiente e RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental. Especialização em Mídia e RSA. MBA em Turismo e Hotelaria. Posgraduanda em Jornalismo Científico e Tecnológico - UFBA. lilianapeixinho@gmail.com
JORNALISMO, ATIVISMO, EDUCAÇÃO, SOCIALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES AMBIENTAIS, SUSTENTÁVEIS, CONSUMO CONSCIENTE, CULTURA DOS RRRR - Repense, Reduza, Reuse, Reinvente, Recrie, Revolucione a Vida, todo dia
sábado, 8 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Por : Liliana Peixinho *
lilianapeixinho@gmail.com
Colaboração Imprensa - IV CBJA
Desafios do Jornalismo ambiental em pauta no Rio de Janeiro
No período de 17 a 19 de novembro o Brasil será palco de grandes encontros sobre Jornalismo ambiental durante o IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. Em foco, o aprofundamento do debate com os novos desafios da mídia frente à Sustentabilidade. O evento deverá reunir cerca de 1200 profissionais membros da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental; Jornalistas e profissionais de comunicação ligados à cobertura de temas ambientais e de sustentabilidade; Profissionais de comunicação de empresas que tem a sustentabilidade como foco operacional; Assessores de imprensa de empresas, ONGs e organismos de governo ligados a questões sociais, ambientais e de sustentabilidade; além de estudantes pesquisadores em comunicação socioambiental.
O que é o IV CBJA
A 4ª edição do CBJA - Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental acontecerá entre os dias 17,18 e 19 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica, no Rio de Janeiro-RJ, e terá ênfase na cobertura da conferência Rio + 20. O evento, antes programado para 2012, foi antecipado pela comissão organizadora para estimular o debate e os preparativos para a conferência internacional, marco histórico da pauta mundial sobre Meio Ambiente. Palestras, oficinas, mini-cursos, exposições, lançamentos de livros e mostras cientificas com grandes nomes da pesquisa em Comunicação Ambiental do Brasil. Compõem a grade de programação painéis temáticos como: impactos das mudanças climáticas, uso de redes sociais no jornalismo, espiritualidade, Economia Verde, envolvendo o papel da mídia na construção do novo paradigma mundial de mudança de comportamento frente aos desafios para a garantia da Vida.
Segundo a coordenação o objetivo do CBJA, é colaborar para a formação continuada dos profissionais de comunicação ambiental e fortalecer a Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental e suas parcerias. Pela primeira vez as inscrições para o IV CBJA serão gratuitas e o acesso é pelo site www.jornalismoambiental.org.br/
Eventos Paralelos
Durante o Congresso serão realizados outros eventos, em paralelo, como o Encontro da RedCalc – Red Latino-Americana de Periodismo Ambiental, que reúne jornalistas que atuam com pautas ambientais e de sustentabilidade em toda a América Latina; o I Encontro Nacional de Pesquisadores em Comunicação Ambiental; I Encontro Nacional da REBIA (Rede Brasileira de Informação Ambiental). O CBJA também conta com uma mostra científica, que reúne grandes nomes da pesquisa em Comunicação Ambiental do Brasil.
Contextualização histórica
Há 20 anos o Brasil sediou a Rio 92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio 92 ou Eco 92 . Desde então, entrou em pauta um ciclo de conferências das Nações Unidas para discussão de problemas que afetam a a Vida, na humanidade. Desses eventos surgiram as Convenções sobre Mudanças Climáticas, Biodiversidade, Desertificação, Agenda 21, Carta da Terra, Declaração sobre Florestas, Declaração de Durban e inúmeros outros documentos, acordos, convenções, códigos ainda não em prática efetiva para o enfretamento da reversão de problemas sérios como fome, miséria, injustiça social e degradação ambiental. Eventos que frustrou esperanças e indignou gente séria, atentas aos processos e formas de utilização de recursos, de toda ordem, para a preservação/adaptação da Vida, em agonia nesse planetinha de constantes mudanças.
Sete bilhões com fome
Informações divulgadas pelas redes ambientais mostram que sete bilhões de seres humanos vivem hoje as seqüelas da maior crise capitalista desde a de 1929. Um cenário com desigualdade social, pobreza extrema, fome em mais de bilhão de pessoas e o paradoxo do desperdício de alimentos, da falta de cuidado com a grande matriz natureza sendo devorada por um modelo capital em cheque junto às mentes inteligentes e altruístas mundo afora. Temos ainda, em pleno século XXI, guerras e situações de violência endêmica, racismo, xenofobia. A proposta de Cadeias Produtivas Sustentáveis de ponta a ponta é uma utopia diante de um sistema de produção e consumo as grandes corporações, mercados financeiros e os governos, que asseguram a sua manutenção, produz e aprofunda a decadência da Vida diante da perda de biodiversidade, escassez de água potável, aumento da desertificação dos solos e acidificação dos mares, a derrubada das florestas, o aumento da violência, do desemprego, do caos nos grandes centros urbanos.
Nessa crise civilizatória, inédita, governos, instituições internacionais, corporações e com certeza o até o Terceiro Setor, estão em cheque com o modelo de economia, governança e valores considerados ultrapassados, paralisantes, perversos e até criminosos. A economia, conduzida num mercado financeiro global, apoiada no lucro fácil, rápido, especulativo, deixa suas marcas no trabalho escravo à moda moderna; na queima dos combustíveis fósseis, na degradação dos ecossistemas, no desenvolvimento igualado ao crescimento, na produção pela produção e outras práticas distante do tão propalado discurso Sustentável.
Adaptação da Vida
Esse olhar transversalizado sobre as necessidades de adaptação da Vida na Terra alimenta a oportunidade do que os ambientalistas chamam de “reinventar o mundo”, apontando saídas para o perigoso caminho que estamos trilhando. Educadores da rede brasileira tomaram a seguinte posição: “a ação dos atores hegemônicos do sistema internacional e mediocridade dos acordos internacionais negociados nos últimos anos, suas falsas soluções e a negligência de princípios já acordados na Rio92, entendemos que se não devemos deixar de buscar influenciar sua atuação, tampouco devemos ter ilusões que isso possa relançar um ciclo virtuoso de negociações e compromissos significantes para enfrentar os graves problemas com que se defronta a humanidade e a vida no planeta.”.
Entendem que a agenda necessária para uma governança global democrática pressupõe um fim da condição atual de captura corporativa dos espaços multilaterais. Reforçam a idéia de mobilização social onde a mudança somente virá da ação dos mais variados atores sociais: diferentes redes e organizações não governamentais e movimentos sociais de distintas áreas de atuação, incluindo ambientalistas, trabalhadores/as rurais e urbanos, mulheres, juventude, movimentos populares, povos originários, etnias discriminadas, empreendedores da economia solidária. Garantir condições materiais e tecnológicas para que novas formas de produção, consumo e organização política sejam estabelecidas, potencializando a atuação coletiva.
Para movimentos ambientais brasileiros como REBEA, AMA, RAMA, REBIA, RBJA, e outros coletivos, a Rio +20 poderá ser um importante ponto na trajetória das lutas globais por justiça social e ambiental construídas antes e depois da Rio-92, como Seattle, FSM, Cochabamba, COP 17, G20. Oportunidade que precisa ser potencializada como espaço democrático para gerar forças e resistência na defesa da Vida.
Preparação para a Rio + 20
A Conferencia Mundial chamada de Rio + 20, será realizada em junho de 2012, como evento autônomo e plural, provisoriamente denominado Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD). A Bahia levará ao evento propostas para ações cotidianas através das campanhas dos Movimentos AMA – Amigos do Meio Ambiente e da RAMA- Rede de Mobilização em Comunicação Ambiental através da Agenda Ambiental Doméstica, com ações proativas para Consumo Consciente, Adoção da Cultura dos 7 Rs - Racionalizar, Reduzir, Repensar, Recriar, Reaproveitar, Repartir, Revolucionar e Desperdício Zero = Lixo Zero = Saúde 10. Ações com agregação em aproveitamento integral de alimentos/segurança alimentar, cultura de prevenção e cuidado com a Vida e construção de cadeias produtivas sustentáveis de ponta a ponta, para comércio justo, inclusão social e bem viver em harmonia com a grande matriz Natureza.
Carbono Zero
IV CBJA será carbono negativo, ou seja, serão plantadas mais árvores que o necessário para a neutralização das emissões de carbono do evento, que também adotará práticas ecoeficientes e produtos reciclados. A proposta é que o IV CBJA seja um exemplo do que os jornalistas ambientais esperam ver na sociedade. A Realização é da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, com organização da REBIA e Envolverde. Tem o apoio institucional da PUC Rio e NIMA; operação da Pega Eventos e patrocínio master o Fundo Vale e Petrobrás e outros como Itaú Unibanco e Fundação Banco do Brasil. A curadoria é dos jornalistas Dal Marcondes, com a Envolverde e RBJA e Vilmar Berna, com a REBIA e a RBJA.
PROGRAMAÇÃO:
PAINEL 1
Os desafios da cobertura da Rio+20
• Luiz Figueiredo – embaixador, diretor de meio ambiente do Itamaraty (A confirmar)
• Ladislau Dowbor – economista e professor da PUC SP (confirmado)
• Aron Belinky – Vitae Civilis e Ecopress (A Confirmado)
• Sérgio Besserman (A confirmar)
Moderação
Dal Marcondes – jornalista e diretor de redação da Envolverde
PAINEL2
Redes Sociais e Sustentabilidade
• Alan Dubner (Confirmado)
• Ismar Soares – Prof. Educomunicação USP (A confirmar)
• Luis Nassif (A confirmar)
• Luiz Antônio Prado (colunista da REBIA -A confirmar)
Moderação
Henrique Camargo – Mercado Ético (A confirmar)
PAINEL3
Jornalismo em Tempo de Economia Verde
• Amélia Gonzalez – editora do caderno Razão Social – O Globo (A confirmar)
• Sonia Araripe – editora revista Plurale (A Confirmar)
• Ricardo Voltolini – Editor revista Ideia Sustentável (A confirmar)
• Ricardo Arnt - Revista Planeta (A confirmar)
Moderação
• Ricardo Young – ex-presidente do Instituto Ethos (A Confirmar)
PAINEL4
O jornalismo científico e o diálogo imprensa/academia
• Ulisses Capozolli – Editor da Scientific America Brasil (A confirmar)
• Eduardo Geraque (A confirmar)
• Wilson da Costa Bueno (Confirmado)
• Renato Janine
ñ Moderação
Ilza Girardi (Confirmada)
PAINEL5
As novas pautas da sustentabilidade
• Andrea de Lima – ex-gerente de comunicação do instituto Ethos (A confirmar)
• Sonia Favaretto – diretora de comunicação da BM&F Bovespa (A Confirmar)
• Celso Marcondes – diretor da revista Carta Capital (A Confirmar)
ñ Moderação
Reinaldo Canto – ex-diretor de comunicação do Greenpeace (Confirmado)
PAINEL6
Sustentabilidade no Rádio e na TV
• Maria Zulmira – Repórter e produtora de TV (A confirmar)
• Paulina Chamorro – Gerente de Meio Ambiente da Rádio Eldorado (A confirmar)
• Sergio Abranches (A confirmar)
ñ Moderação
João Batista Santafé (A confirmar)
PAINEL7
Redes Sociais e Sustentabilidade
• Alan Dubner (Confirmado)
• Ismar Soares – Prof. Educomunicação USP (A confirmar)
• Luis Nassif (A confirmar)
• Luiz Antônio Prado (colunista da REBIA -A confirmar)
Moderação
Henrique Camargo – Mercado Ético (A confirmar)
PAINEL7
Cidades Sustentáveis
• Andrea Young – Unicamp / INPE (A confirmar)
• Luanda Nero – jornalista do Movimento Nossa São Paulo (A confirmar)
• Rafael Greca ( A confirmar)
Moderação
André Trigueiro (Confirmado)
Liliana Peixinho * - Jornalista, ativista socioambiental, aluna do Curso de Jornalismo Científico e Tecnológico da UFBa, autora do projeto para mestrado “ Transversalidade da Informação como instrumento de construção da Comunicação Sustentável”. Fundadora dos Movimentos Livres AMA/RAMA- Rede de Mobilização e Comunicação Ambiental
domingo, 25 de setembro de 2011
ATITUDES SUSTENTÁVEIS
ADOTE AS CAMPANHAS DO MOVIMENTO AMA
MUDANÇA COMPORTAMENTO = CONSUMO CONSCIENTE
Campanhas, projetos, programas, ações voltadas para o Consumo Consciente, Cultura dos RRRRRR– Repense, Reduza, Reutilize, Recrie, Reaproveite, Reinvente, Revolucione, através da prática do “Desperdício Zero”, Consumo Consciente, Interação ao Outro, através da valorização de alimentos, água, energia, papel e outros produtos gerados a partir do uso dos recursos da matriz energética Natureza.
Com valores, ações, atitudes na perspectiva do DESPERDICIO ZERO = LIXO ZERO Lixo podemos construir ambientes com Saneamento 10. Além disso: Geração de Renda Cidadã, com Reciclagem Criativa Produtiva, Fortalecimento do potencial local, campanhas de combate a fome, difusão de informações sobre aproveitamento integral dos alimentos, reeducação individual/doméstica/escolar para o combate ao desperdício, de forma geral, mas com foco especial em alimentos, água e energia.
Queremos criar estruturas de retaguardas para famílias de catadores, otimização de resíduos em escolas, instituições, empresas, com parcerias empresariais de incremento a negócios verdes, a partir da Cultura dos RRRRR, Consumo Consciente, Comércio Justo, Economia Solidária, Reforço de Cadeias Produtivas Harmoniosas.
Se for jogar fora, como lixo, ou seja, sem critério de seleção ou separação, materiais como : roupas, sapatos, madeiras, alumínio, eletroeletrônicos, brinquedos, móveis velhos e outros produtos, ligue para o Movimento AMA ou mande um email que nossos voluntários podem lhe mostrar como dar novos destinos e usos ao que muitas pessoas consideram como lixo e acaba sujando ainda mais a casa, o bairro, a escola, a instituição, a cidade, os ambientes de convivência.
Adotando a CULTURA dos RRRRR você pode ajudar famílias/coletivos de catadores e de comunidades rurais, no interior, que precisam desses materiais para reutilizar com arte, ou quem sabe até começar um pequeno negócio artesanal, de forma criativa.
Seja um AMA-Amigo do Meio Ambiente. Para associar-se entre no site www.amigodomeioambiente.com.br e mande email para ama@amigodomeioambiente.com.br ou para lilianapeixinho@gmail.com
Informações 71 – 9938-0159 - 8769-6927 - 9138-7965
terça-feira, 21 de setembro de 2010
PROTAGONISMO POLITICO FEMININO
Liliana Peixinho *
A luta da mulher pela conquista de espaço, reconhecimento, direitos e inserção social acompanha o próprio desenvolvimento humano. Muito se conquistou, com certeza, com sangue, suor e lágrimas. Mídia, movimentos sociais, coletivos de trabalhadoras e a própria instituição familiar estão sempre a destacar a luta da mulher como pessoa, ser humano, mãe, trabalhadora, amiga e os mais diversos papéis que a mulher sempre esteve, está e estará fadada a desempenhar na construção de novas civilizações. Socializar essa discussão com ações cotidianas, focar desafios e mudanças para uma Economia circular, cidadã, sustentável, em harmonia com a Natureza, é uma nova pauta na velha luta pela preservação da Vida.
Se as conquistas femininas por um lado nos enobrece, aumenta a auto-estima, nos honra e nos orgulha. paradoxalmente está a nos entristecer, fazer pensar, repensar, ponderar, porque essas conquistas deveriam nos fazer mais felizes, menos estressadas, mais harmoniosas e menos exploradas. E isso não está acontecendo proporcionalmente às nossas conquistas históricas. Ainda somos minoria no parlamento, ganhamos muito menos que os homens, fazendo as mesmas funções, temos jornadas múltiplas, com acúmulo de tarefas. E pior, ainda não nos reconhecemos para elegermos as próprias mulheres na defesa desse protagonismo na luta por direitos. E isso é um contrasenso.
É inegável o reconhecimento da participação feminina nos mais diversos ambientes de produção. A mulher se destaca como produtora do conhecimento, difusora de informações, gestora de conflitos, executora de ações sustentáveis nas Cadeias Produtivas, seja no lar, no trabalho, na escola, na família, na comunidade, na política, na economia. Enfim, o olhar, o fazer, o cuidado feminino, é instrumento revolucionário na construção do novo paradigma do equilíbrio entre necessidades de consumo e preservação de matrizes energéticas limpas.
As guerreiras do Brasil e Bahia afora que estão na luta pela conquista de novos degraus, no mais alto grau da representação política de um país, são oportunidades que nós, mulheres e/ou homens com sensibilidade temos agora, nesse processo eleitoral inédito, para reconhecermos, de fato, esse protagonismo feminino histórico. É importante nos apoderarmos de informações claras e diversas para analisarmos causas do desperdício do direito político eleitoral, valores e projetos da sociedade, contextualização da crise estrutural do capitalismo, desenhar e perseguir uma nova visão integrada, holístíca, multifacetada, atenta a necessidades de mudanças de comportamento em um planeta sedento de cuidados para garantirmos a Vida.
Planejamento, atitude, luta, aplicação de políticas para o desenvolvimento humano sustentável, com eqüidade, justiça social e equilíbrio ambiental, são fases importantes para qualquer ação no presente e garantia do futuro. Precisamos colocar em prática atitudes de mudança no consumo em nome da preservação da vida. Visito faculdades, empresas e instituições que têm projetos ditos “sustentáveis”, mas que não passam de propaganda. O desafio é a garantia da vida com qualidade, prazer, alegria, desejo de querer fazer não porque alguém nos manda, ordena, impõe, mas porque sabemos ser necessário no papel de cada um. Oportunidades diretamente linkadas com Consumo Consciente, Comércio Justo, Produto Limpo, Desperdício Zero, Cultura dos RRRRRR – Repensar, Racionalizar, Reduzir, Reaproveitar, Recriar, Reinventar, Reciclar, Revolucionar, com proatividade, sem desperdício, na perspectiva de resíduo zero.
Mais que entender os efeitos negativos do Aquecimento Global falta ao Ser Humano interiorizar, absorver, na alma, coração e cérebro, que a felicidade em Ser pode estar na busca do outro. Caminhar nessa direção requer enfrentar obstáculos, abrir mão de atos egoístas, imediatistas, superficiais, repetitivos, convencionais, para transgredir, subverter e quebrar regras em nome da dinâmica natural do Universo, com renovação, invenção, criatividade, compromisso e prazer em fazer.
Liliana Peixinho*-DRT 1.430 – Jornalista, ativista sóciombiental. Fundadora dos Movimentos AMA/RAMA- Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação Ambiental Aluna Especial mestrado Cultura e Sociedade e da pósgraduação em Jornalismo Científico.- Facom – UFBA lilianapeixinho@gmail.com
http://www.falandonalata.wordpress.com/
A luta da mulher pela conquista de espaço, reconhecimento, direitos e inserção social acompanha o próprio desenvolvimento humano. Muito se conquistou, com certeza, com sangue, suor e lágrimas. Mídia, movimentos sociais, coletivos de trabalhadoras e a própria instituição familiar estão sempre a destacar a luta da mulher como pessoa, ser humano, mãe, trabalhadora, amiga e os mais diversos papéis que a mulher sempre esteve, está e estará fadada a desempenhar na construção de novas civilizações. Socializar essa discussão com ações cotidianas, focar desafios e mudanças para uma Economia circular, cidadã, sustentável, em harmonia com a Natureza, é uma nova pauta na velha luta pela preservação da Vida.
Se as conquistas femininas por um lado nos enobrece, aumenta a auto-estima, nos honra e nos orgulha. paradoxalmente está a nos entristecer, fazer pensar, repensar, ponderar, porque essas conquistas deveriam nos fazer mais felizes, menos estressadas, mais harmoniosas e menos exploradas. E isso não está acontecendo proporcionalmente às nossas conquistas históricas. Ainda somos minoria no parlamento, ganhamos muito menos que os homens, fazendo as mesmas funções, temos jornadas múltiplas, com acúmulo de tarefas. E pior, ainda não nos reconhecemos para elegermos as próprias mulheres na defesa desse protagonismo na luta por direitos. E isso é um contrasenso.
É inegável o reconhecimento da participação feminina nos mais diversos ambientes de produção. A mulher se destaca como produtora do conhecimento, difusora de informações, gestora de conflitos, executora de ações sustentáveis nas Cadeias Produtivas, seja no lar, no trabalho, na escola, na família, na comunidade, na política, na economia. Enfim, o olhar, o fazer, o cuidado feminino, é instrumento revolucionário na construção do novo paradigma do equilíbrio entre necessidades de consumo e preservação de matrizes energéticas limpas.
As guerreiras do Brasil e Bahia afora que estão na luta pela conquista de novos degraus, no mais alto grau da representação política de um país, são oportunidades que nós, mulheres e/ou homens com sensibilidade temos agora, nesse processo eleitoral inédito, para reconhecermos, de fato, esse protagonismo feminino histórico. É importante nos apoderarmos de informações claras e diversas para analisarmos causas do desperdício do direito político eleitoral, valores e projetos da sociedade, contextualização da crise estrutural do capitalismo, desenhar e perseguir uma nova visão integrada, holístíca, multifacetada, atenta a necessidades de mudanças de comportamento em um planeta sedento de cuidados para garantirmos a Vida.
Planejamento, atitude, luta, aplicação de políticas para o desenvolvimento humano sustentável, com eqüidade, justiça social e equilíbrio ambiental, são fases importantes para qualquer ação no presente e garantia do futuro. Precisamos colocar em prática atitudes de mudança no consumo em nome da preservação da vida. Visito faculdades, empresas e instituições que têm projetos ditos “sustentáveis”, mas que não passam de propaganda. O desafio é a garantia da vida com qualidade, prazer, alegria, desejo de querer fazer não porque alguém nos manda, ordena, impõe, mas porque sabemos ser necessário no papel de cada um. Oportunidades diretamente linkadas com Consumo Consciente, Comércio Justo, Produto Limpo, Desperdício Zero, Cultura dos RRRRRR – Repensar, Racionalizar, Reduzir, Reaproveitar, Recriar, Reinventar, Reciclar, Revolucionar, com proatividade, sem desperdício, na perspectiva de resíduo zero.
Mais que entender os efeitos negativos do Aquecimento Global falta ao Ser Humano interiorizar, absorver, na alma, coração e cérebro, que a felicidade em Ser pode estar na busca do outro. Caminhar nessa direção requer enfrentar obstáculos, abrir mão de atos egoístas, imediatistas, superficiais, repetitivos, convencionais, para transgredir, subverter e quebrar regras em nome da dinâmica natural do Universo, com renovação, invenção, criatividade, compromisso e prazer em fazer.
Liliana Peixinho*-DRT 1.430 – Jornalista, ativista sóciombiental. Fundadora dos Movimentos AMA/RAMA- Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação Ambiental Aluna Especial mestrado Cultura e Sociedade e da pósgraduação em Jornalismo Científico.- Facom – UFBA lilianapeixinho@gmail.com
http://www.falandonalata.wordpress.com/
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
UFBA DESMATA SEU PROPRIO MEMORIAL MATA ATLANTICA
Bioma que levou 30 anos para recuperar-se foi devastado rapidinho
Dia 08 de junho a comunidade acadêmica da UFBa foi surpreendida com desmatamento de parte do que a própria a universidade classificou como “Memorial da Mata Atlântica”, localizado no Campus Ondina .Prova que o discurso não corresponde à prática nem mesmo em retaguardas importantes como as instituições de ensino, local de pesquisa, defesa de culturas, propagação do saber, fortalecimento dos instrumentos de construção da democratização, difusão da informação como ferramenta fundamental para o exercício da cidadania e outras tantas teorias.
Alunos do curso de jornalismo Cientifico da Facom, professores, estudantes de outras faculdades e ambientalistas que estiveram in loco no estrago do desmatamento manifestaram indignação com o fato. A professora-doutora Simone Bortoliero, Pesquisadora, vice presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico e coordenadora do Grupo de Jornalismo Científico e Ambiental da FACOM -UFBA, que tem foco de diversos trabalhos/ pesquisas/estudos em meio ambiente, ficou estarrecida com o fato e circulou uma carta na UFBA inconformada com a posição da instituição após o fato, através de informações veiculadas no site oficial da universidade, onde informa que a área (desmatada) será utilizada para construção de um prédio para o Instituto de Humanidades, E que está decisão já havia sido prevista há dois anos, em reunião do Conselho Universitário dentro da proposta do REUNI, plano federal que prevê o aumento das vagas e que tem como conseqüência a ampliação da infra-estrutura e de construção de inúmeros prédios. O fato - diz a professora- é que o campus de Ondina já se transformou num canteiro de obras, mas nunca poderíamos imaginar que iríamos construir em área de mata em recuperação. Simone Bortoliero antecipou algumas informações, frutos de pesquisa científica (Geologia e Biologia) onde apontam o local com aproximadamente 25000 m² e que estende-se da Escola de Dança ao Instituto de Letras.
Estudos de alunos de graduação orientados por diversos professores demonstram que há, (ou havia) espécies florísticas de mata atlântica (Nunes, A. T.; Roque, N. 2006. Levantamento florístico das espécies arbustivo-arbóreas dos fragmentos de mata do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia). O relatório informa que além de animais dispersores de sementes, em 2009 , alunos introduziram espécies originárias de mata atlântica como Protium burm.f. conhecida como Amescla, Vatairea Aubl conhecida por Angelim-amargoso, Eschweilera ovata (Cambess.) Miers conhecida por Biriba, Spondias mombin L. conhecida por Cajazeira, Sloanea L. conhecida por Carrapateiro, Brosimum Sw.sp.1 conhecida por Conduru, entre outras. Desse trabalho de Nunes há citações sobre as espécies encontradas e que são nativas da Mata Atlântica: Schinus terebinthifolius Raddi; Himatanthus bracteatus (A.DC.) Woodson; Urera baccifera (L.) Gaud.; Trema micrantha (L.) Blume; Guazuma ulmifolia Lam.; Solanum lycocarpum St.Hil.; Chrysophyllum splendens Sprengel; Genipa americana L.; Eugenia cyclophylla O. Berq; Guarea guidonia (L.) Sleumer; Senna macranthera (Collad.) Irwin & Barneby; Cassia grandis L.f.; Cecropia pachystachia Trec.; Tapirira guianensis Aubl..A conclusão da pesquisa indica que devido ao número reduzido de espécies de Mata Atlântica, ”é necessário a introdução de outras espécies, para o aumento da diversidade, garantindo uma melhor manutenção dos processos ecológicos e maior representatividade do bioma. Estas matrizes, no futuro, fornecerão sementes para a produção de mudas e para a regeneração natural de outras áreas” (Nunes, 2009).
Campus de Ondina virou canteiro de obras com ameaças a preservação
A professora Simone:diz que existe uma contradição entre o texto do Plano Diretor e o texto divulgado no site oficial , Por isso os representantes do Conselho Universitário, órgão responsável pela aprovação do Plano Diretor, poderiam ajudar a elucidar o que entendem pela área do Memorial da Mata Atlântica.”..Além do descumprimento das determinações do próprio Conselho Universitário, a administração infringe alguns pontos das leis como Crimes contra a Fauna pois em seu parágrafo § 3º são espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou em águas jurisdicionais brasileiras.
A lei ambiental no Brasil diz também que deve existir o manejo de animais em áreas que irão sofrer desmatamento, justificável, se considerarmos que no atual quadro brasileiro os desmatamentos podem ser justificados em detrimento de um modelo de desenvolvimento a qualquer preço. Na UFBA não houve nenhuma proposta de manejo de animais da área, ou circulação de informação qualificada sobre as razões do desmatamento e não houve manejo dos animais anterior ao desmatamento A lei prevê, no Art. 32, que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, a pena de detenção é de três meses a um ano, além é claro da multa. Sobre a regeneração de matas o Art. 48 afirma que impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação, a pena será de detenção, de seis meses a um ano, além da multa. Alem disso teria a necessidade de Audiência Pública anterior ao licenciamento ambiental dado por órgão federal como IBAMA, e licença concedida depois de ouvir a comunidade do entorno.
Repercussão
Movimento AMA
O Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente encaminhou denúncia para a RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental que está em contato com outras redes ambientais além de alunos, professores, ambientalistas, biólogos, para ajudar no levantamento voluntário do que foi perdido, que tipo de desequilíbrio pode ocorrer no ambiente com a perda das espécies vegetais e animais inicialmente descritas . Alem disso estuda mecanismos operacionais para, principalmente, estar atentos ao desenrolar das diversas obras que estão em andamento no Campus de Ondina, assim como em outros Campi da UFBA, para que não haja repetição desse erro irreparável. Voluntários dos Movimentos, alunos da UFBA, que freqüentam o campus de Ondina, estarão fazendo visitas para observar os trabalhos nas obras de construção.
A UFBA cometeu um crime ambiental. Se foi praticado por empresas terceirizadas desavisadas, desinformadas, descuidada com o que limpar ou preservar, mostra a falta e critério da instituição na seleção de quem deve ter competência e responsabilidade com o patrimônio publico natural.
“É realmente vergonhosa a situação e muito mais constrangedora pelo fato de se tratar de uma ação da Universidade, que deveriam, como porta de conhecimento e pesquisa, condenar intervenções dessa natureza. A instituição UFBA, que tomou a decisão de desmatar a área sem um estudo prévio e sem uma alternativa de proteger as espécies ali existentes, me deixou envergonhada”. Jacy Nunes, jornalista.
“Tomei um susto quando fui chamado pelo Movimento AMA para fotografar e quando cheguei lá, aquele clarão enorme, fiquei realmente chocado. O Campus de Ondina é conhecido e reconhecido pela diversidade, pelo verde, pela preservação, matas fechadas, ambiente que os estudantes sempre gostaram para poder respirar melhor. Já participei de muitos eventos, congressos, encontros no Campus e fiquei muito triste”, declara Alen Ebert, aluno de Publicidade da UCSal e voluntário do Movimento AMA.
Desrespeito aos pesquisadores
A professora Simone lamenta que no ano da Biodiversidade é vergonhoso a forma como a administração da UFBA, que sempre se eximiu de políticas de divulgação científica dentro da Universidade, venha desrespeitar nossos pesquisadores "ecólogos", biólogos e especialistas, alegando que a área não possui espécies em extinção conforme divulgado na mídia..Mas essa não é a questão, pois não há espécimes em extinção. Mas a lei é clara quanto à proteção de animais silvestres que vivem no Memorial da Mata Atlântica no Campus de Ondina.
Papel do jornalismo
Outro aspecto que chamou a atenção da professora é o papel que cumpre as Assessorias de Comunicação em instituições de pesquisa em nosso país. A Associação Brasileira de Jornalismo Científico esclarece que essas assessorias devem, de forma igualitária, divulgar as pesquisas em andamento nessas instituições independente de suas áreas como compromisso com a cidadania, com a democratização do conhecimento, além de tornar público os investimentos pagos na verdade com os impostos dos contribuintes. A Assessoria de Comunicação da UFBA deveria esclarecer sobre as fontes que poderiam estar disponíveis na instituição para disponibilizá-las para a imprensa. O papel é contribuir nesse momento com esclarecimentos sobre os conceitos como Diversidade Ecológica, Animais Silvestres, Mata em Recuperação, Lei Ambiental, Desmatamentos, dispersores de sementes, fauna e flora.
Perda irreparável
O desmatamento, as queimadas e a destruição de biomas em diferentes regiões do país, já são a causa de nossos problemas no mapeamento da biodiversidade brasileira. Ela lembra que ouviu do professor Thomas Lewinson, da Unicamp, presidente da Associação Brasileira de Ciências Ecológicas, que nós levaríamos 2000 mil anos para mapear a biodiversidade brasileira, isso se respeitássemos nossas matas do jeito que estão atualmente. E tece um paralelo sobre a riqueza da nossa biodiversidade ao lembrar que esse professor informou, durante um congresso, que numa folha de cacau podem ser encontradas 150 espécies de fungos. Imaginem o que poderia ser encontrado nessa vasta área desmatada do campus de Ondina se todas as espécies tivessem sido mapeadas pelos pesquisadores da instituição?
Arvores cortadas sem critério de manejo
Protesto contra descompromisso
As respostas da UFBA sobre o fato não são suficientes para nos convencermos da necessidade de construção desse prédio numa mata que levou quase 30 anos para se recuperar e que em questão de horas estava no chão. Se não fosse a boa vontade de professores e estudantes de Biologia em retirar alguns animais como cobras e lagartos, a matança seria feita por homens com suas máquinas. Considera o problema grave porque somos educadores de uma instituição federal. Protesta e sugere compromissos com um jornalismo ambiental investigativo, ouvindo o maior número de fontes possíveis, pesquisadores que vão desde o campo biológico as c ciências sociais e humanas. Fontes como IBAMA e Ministério Público, o reitor e sua equipe, os que pensaram no projeto da UFBA Ecológica e outros que devem terão muito a dizer sobre o fato, já consumado, no Campus de Ondina
Liliana Peixinho* - Jornalista, ativista, pós graduada em mídia e meio ambiente, cursando pos-graduacao em Jornalismo Cientifico da FACOM – UFBA.
Dia 08 de junho a comunidade acadêmica da UFBa foi surpreendida com desmatamento de parte do que a própria a universidade classificou como “Memorial da Mata Atlântica”, localizado no Campus Ondina .Prova que o discurso não corresponde à prática nem mesmo em retaguardas importantes como as instituições de ensino, local de pesquisa, defesa de culturas, propagação do saber, fortalecimento dos instrumentos de construção da democratização, difusão da informação como ferramenta fundamental para o exercício da cidadania e outras tantas teorias.
Alunos do curso de jornalismo Cientifico da Facom, professores, estudantes de outras faculdades e ambientalistas que estiveram in loco no estrago do desmatamento manifestaram indignação com o fato. A professora-doutora Simone Bortoliero, Pesquisadora, vice presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico e coordenadora do Grupo de Jornalismo Científico e Ambiental da FACOM -UFBA, que tem foco de diversos trabalhos/ pesquisas/estudos em meio ambiente, ficou estarrecida com o fato e circulou uma carta na UFBA inconformada com a posição da instituição após o fato, através de informações veiculadas no site oficial da universidade, onde informa que a área (desmatada) será utilizada para construção de um prédio para o Instituto de Humanidades, E que está decisão já havia sido prevista há dois anos, em reunião do Conselho Universitário dentro da proposta do REUNI, plano federal que prevê o aumento das vagas e que tem como conseqüência a ampliação da infra-estrutura e de construção de inúmeros prédios. O fato - diz a professora- é que o campus de Ondina já se transformou num canteiro de obras, mas nunca poderíamos imaginar que iríamos construir em área de mata em recuperação. Simone Bortoliero antecipou algumas informações, frutos de pesquisa científica (Geologia e Biologia) onde apontam o local com aproximadamente 25000 m² e que estende-se da Escola de Dança ao Instituto de Letras.
Estudos de alunos de graduação orientados por diversos professores demonstram que há, (ou havia) espécies florísticas de mata atlântica (Nunes, A. T.; Roque, N. 2006. Levantamento florístico das espécies arbustivo-arbóreas dos fragmentos de mata do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia). O relatório informa que além de animais dispersores de sementes, em 2009 , alunos introduziram espécies originárias de mata atlântica como Protium burm.f. conhecida como Amescla, Vatairea Aubl conhecida por Angelim-amargoso, Eschweilera ovata (Cambess.) Miers conhecida por Biriba, Spondias mombin L. conhecida por Cajazeira, Sloanea L. conhecida por Carrapateiro, Brosimum Sw.sp.1 conhecida por Conduru, entre outras. Desse trabalho de Nunes há citações sobre as espécies encontradas e que são nativas da Mata Atlântica: Schinus terebinthifolius Raddi; Himatanthus bracteatus (A.DC.) Woodson; Urera baccifera (L.) Gaud.; Trema micrantha (L.) Blume; Guazuma ulmifolia Lam.; Solanum lycocarpum St.Hil.; Chrysophyllum splendens Sprengel; Genipa americana L.; Eugenia cyclophylla O. Berq; Guarea guidonia (L.) Sleumer; Senna macranthera (Collad.) Irwin & Barneby; Cassia grandis L.f.; Cecropia pachystachia Trec.; Tapirira guianensis Aubl..A conclusão da pesquisa indica que devido ao número reduzido de espécies de Mata Atlântica, ”é necessário a introdução de outras espécies, para o aumento da diversidade, garantindo uma melhor manutenção dos processos ecológicos e maior representatividade do bioma. Estas matrizes, no futuro, fornecerão sementes para a produção de mudas e para a regeneração natural de outras áreas” (Nunes, 2009).
Campus de Ondina virou canteiro de obras com ameaças a preservação
A professora Simone:diz que existe uma contradição entre o texto do Plano Diretor e o texto divulgado no site oficial , Por isso os representantes do Conselho Universitário, órgão responsável pela aprovação do Plano Diretor, poderiam ajudar a elucidar o que entendem pela área do Memorial da Mata Atlântica.”..Além do descumprimento das determinações do próprio Conselho Universitário, a administração infringe alguns pontos das leis como Crimes contra a Fauna pois em seu parágrafo § 3º são espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou em águas jurisdicionais brasileiras.
A lei ambiental no Brasil diz também que deve existir o manejo de animais em áreas que irão sofrer desmatamento, justificável, se considerarmos que no atual quadro brasileiro os desmatamentos podem ser justificados em detrimento de um modelo de desenvolvimento a qualquer preço. Na UFBA não houve nenhuma proposta de manejo de animais da área, ou circulação de informação qualificada sobre as razões do desmatamento e não houve manejo dos animais anterior ao desmatamento A lei prevê, no Art. 32, que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, a pena de detenção é de três meses a um ano, além é claro da multa. Sobre a regeneração de matas o Art. 48 afirma que impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação, a pena será de detenção, de seis meses a um ano, além da multa. Alem disso teria a necessidade de Audiência Pública anterior ao licenciamento ambiental dado por órgão federal como IBAMA, e licença concedida depois de ouvir a comunidade do entorno.
Repercussão
Movimento AMA
O Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente encaminhou denúncia para a RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental que está em contato com outras redes ambientais além de alunos, professores, ambientalistas, biólogos, para ajudar no levantamento voluntário do que foi perdido, que tipo de desequilíbrio pode ocorrer no ambiente com a perda das espécies vegetais e animais inicialmente descritas . Alem disso estuda mecanismos operacionais para, principalmente, estar atentos ao desenrolar das diversas obras que estão em andamento no Campus de Ondina, assim como em outros Campi da UFBA, para que não haja repetição desse erro irreparável. Voluntários dos Movimentos, alunos da UFBA, que freqüentam o campus de Ondina, estarão fazendo visitas para observar os trabalhos nas obras de construção.
A UFBA cometeu um crime ambiental. Se foi praticado por empresas terceirizadas desavisadas, desinformadas, descuidada com o que limpar ou preservar, mostra a falta e critério da instituição na seleção de quem deve ter competência e responsabilidade com o patrimônio publico natural.
“É realmente vergonhosa a situação e muito mais constrangedora pelo fato de se tratar de uma ação da Universidade, que deveriam, como porta de conhecimento e pesquisa, condenar intervenções dessa natureza. A instituição UFBA, que tomou a decisão de desmatar a área sem um estudo prévio e sem uma alternativa de proteger as espécies ali existentes, me deixou envergonhada”. Jacy Nunes, jornalista.
“Tomei um susto quando fui chamado pelo Movimento AMA para fotografar e quando cheguei lá, aquele clarão enorme, fiquei realmente chocado. O Campus de Ondina é conhecido e reconhecido pela diversidade, pelo verde, pela preservação, matas fechadas, ambiente que os estudantes sempre gostaram para poder respirar melhor. Já participei de muitos eventos, congressos, encontros no Campus e fiquei muito triste”, declara Alen Ebert, aluno de Publicidade da UCSal e voluntário do Movimento AMA.
Desrespeito aos pesquisadores
A professora Simone lamenta que no ano da Biodiversidade é vergonhoso a forma como a administração da UFBA, que sempre se eximiu de políticas de divulgação científica dentro da Universidade, venha desrespeitar nossos pesquisadores "ecólogos", biólogos e especialistas, alegando que a área não possui espécies em extinção conforme divulgado na mídia..Mas essa não é a questão, pois não há espécimes em extinção. Mas a lei é clara quanto à proteção de animais silvestres que vivem no Memorial da Mata Atlântica no Campus de Ondina.
Papel do jornalismo
Outro aspecto que chamou a atenção da professora é o papel que cumpre as Assessorias de Comunicação em instituições de pesquisa em nosso país. A Associação Brasileira de Jornalismo Científico esclarece que essas assessorias devem, de forma igualitária, divulgar as pesquisas em andamento nessas instituições independente de suas áreas como compromisso com a cidadania, com a democratização do conhecimento, além de tornar público os investimentos pagos na verdade com os impostos dos contribuintes. A Assessoria de Comunicação da UFBA deveria esclarecer sobre as fontes que poderiam estar disponíveis na instituição para disponibilizá-las para a imprensa. O papel é contribuir nesse momento com esclarecimentos sobre os conceitos como Diversidade Ecológica, Animais Silvestres, Mata em Recuperação, Lei Ambiental, Desmatamentos, dispersores de sementes, fauna e flora.
Perda irreparável
O desmatamento, as queimadas e a destruição de biomas em diferentes regiões do país, já são a causa de nossos problemas no mapeamento da biodiversidade brasileira. Ela lembra que ouviu do professor Thomas Lewinson, da Unicamp, presidente da Associação Brasileira de Ciências Ecológicas, que nós levaríamos 2000 mil anos para mapear a biodiversidade brasileira, isso se respeitássemos nossas matas do jeito que estão atualmente. E tece um paralelo sobre a riqueza da nossa biodiversidade ao lembrar que esse professor informou, durante um congresso, que numa folha de cacau podem ser encontradas 150 espécies de fungos. Imaginem o que poderia ser encontrado nessa vasta área desmatada do campus de Ondina se todas as espécies tivessem sido mapeadas pelos pesquisadores da instituição?
Arvores cortadas sem critério de manejo
Protesto contra descompromisso
As respostas da UFBA sobre o fato não são suficientes para nos convencermos da necessidade de construção desse prédio numa mata que levou quase 30 anos para se recuperar e que em questão de horas estava no chão. Se não fosse a boa vontade de professores e estudantes de Biologia em retirar alguns animais como cobras e lagartos, a matança seria feita por homens com suas máquinas. Considera o problema grave porque somos educadores de uma instituição federal. Protesta e sugere compromissos com um jornalismo ambiental investigativo, ouvindo o maior número de fontes possíveis, pesquisadores que vão desde o campo biológico as c ciências sociais e humanas. Fontes como IBAMA e Ministério Público, o reitor e sua equipe, os que pensaram no projeto da UFBA Ecológica e outros que devem terão muito a dizer sobre o fato, já consumado, no Campus de Ondina
Liliana Peixinho* - Jornalista, ativista, pós graduada em mídia e meio ambiente, cursando pos-graduacao em Jornalismo Cientifico da FACOM – UFBA.
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