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sexta-feira, 18 de junho de 2010

UFBA DESMATA SEU PROPRIO MEMORIAL MATA ATLANTICA

Bioma que levou 30 anos para recuperar-se foi devastado rapidinho


Dia 08 de junho a comunidade acadêmica da UFBa foi surpreendida com desmatamento de parte do que a própria a universidade classificou como “Memorial da Mata Atlântica”, localizado no Campus Ondina .Prova que o discurso não corresponde à prática nem mesmo em retaguardas importantes como as instituições de ensino, local de pesquisa, defesa de culturas, propagação do saber, fortalecimento dos instrumentos de construção da democratização, difusão da informação como ferramenta fundamental para o exercício da cidadania e outras tantas teorias.



Alunos do curso de jornalismo Cientifico da Facom, professores, estudantes de outras faculdades e ambientalistas que estiveram in loco no estrago do desmatamento manifestaram indignação com o fato. A professora-doutora Simone Bortoliero, Pesquisadora, vice presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico e coordenadora do Grupo de Jornalismo Científico e Ambiental da FACOM -UFBA, que tem foco de diversos trabalhos/ pesquisas/estudos em meio ambiente, ficou estarrecida com o fato e circulou uma carta na UFBA inconformada com a posição da instituição após o fato, através de informações veiculadas no site oficial da universidade, onde informa que a área (desmatada) será utilizada para construção de um prédio para o Instituto de Humanidades, E que está decisão já havia sido prevista há dois anos, em reunião do Conselho Universitário dentro da proposta do REUNI, plano federal que prevê o aumento das vagas e que tem como conseqüência a ampliação da infra-estrutura e de construção de inúmeros prédios. O fato - diz a professora- é que o campus de Ondina já se transformou num canteiro de obras, mas nunca poderíamos imaginar que iríamos construir em área de mata em recuperação. Simone Bortoliero antecipou algumas informações, frutos de pesquisa científica (Geologia e Biologia) onde apontam o local com aproximadamente 25000 m² e que estende-se da Escola de Dança ao Instituto de Letras.



Estudos de alunos de graduação orientados por diversos professores demonstram que há, (ou havia) espécies florísticas de mata atlântica (Nunes, A. T.; Roque, N. 2006. Levantamento florístico das espécies arbustivo-arbóreas dos fragmentos de mata do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia). O relatório informa que além de animais dispersores de sementes, em 2009 , alunos introduziram espécies originárias de mata atlântica como Protium burm.f. conhecida como Amescla, Vatairea Aubl conhecida por Angelim-amargoso, Eschweilera ovata (Cambess.) Miers conhecida por Biriba, Spondias mombin L. conhecida por Cajazeira, Sloanea L. conhecida por Carrapateiro, Brosimum Sw.sp.1 conhecida por Conduru, entre outras. Desse trabalho de Nunes há citações sobre as espécies encontradas e que são nativas da Mata Atlântica: Schinus terebinthifolius Raddi; Himatanthus bracteatus (A.DC.) Woodson; Urera baccifera (L.) Gaud.; Trema micrantha (L.) Blume; Guazuma ulmifolia Lam.; Solanum lycocarpum St.Hil.; Chrysophyllum splendens Sprengel; Genipa americana L.; Eugenia cyclophylla O. Berq; Guarea guidonia (L.) Sleumer; Senna macranthera (Collad.) Irwin & Barneby; Cassia grandis L.f.; Cecropia pachystachia Trec.; Tapirira guianensis Aubl..A conclusão da pesquisa indica que devido ao número reduzido de espécies de Mata Atlântica, ”é necessário a introdução de outras espécies, para o aumento da diversidade, garantindo uma melhor manutenção dos processos ecológicos e maior representatividade do bioma. Estas matrizes, no futuro, fornecerão sementes para a produção de mudas e para a regeneração natural de outras áreas” (Nunes, 2009).





Campus de Ondina virou canteiro de obras com ameaças a preservação



A professora Simone:diz que existe uma contradição entre o texto do Plano Diretor e o texto divulgado no site oficial , Por isso os representantes do Conselho Universitário, órgão responsável pela aprovação do Plano Diretor, poderiam ajudar a elucidar o que entendem pela área do Memorial da Mata Atlântica.”..Além do descumprimento das determinações do próprio Conselho Universitário, a administração infringe alguns pontos das leis como Crimes contra a Fauna pois em seu parágrafo § 3º são espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou em águas jurisdicionais brasileiras.

A lei ambiental no Brasil diz também que deve existir o manejo de animais em áreas que irão sofrer desmatamento, justificável, se considerarmos que no atual quadro brasileiro os desmatamentos podem ser justificados em detrimento de um modelo de desenvolvimento a qualquer preço. Na UFBA não houve nenhuma proposta de manejo de animais da área, ou circulação de informação qualificada sobre as razões do desmatamento e não houve manejo dos animais anterior ao desmatamento A lei prevê, no Art. 32, que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, a pena de detenção é de três meses a um ano, além é claro da multa. Sobre a regeneração de matas o Art. 48 afirma que impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação, a pena será de detenção, de seis meses a um ano, além da multa. Alem disso teria a necessidade de Audiência Pública anterior ao licenciamento ambiental dado por órgão federal como IBAMA, e licença concedida depois de ouvir a comunidade do entorno.



Repercussão



Movimento AMA



O Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente encaminhou denúncia para a RAMA – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental que está em contato com outras redes ambientais além de alunos, professores, ambientalistas, biólogos, para ajudar no levantamento voluntário do que foi perdido, que tipo de desequilíbrio pode ocorrer no ambiente com a perda das espécies vegetais e animais inicialmente descritas . Alem disso estuda mecanismos operacionais para, principalmente, estar atentos ao desenrolar das diversas obras que estão em andamento no Campus de Ondina, assim como em outros Campi da UFBA, para que não haja repetição desse erro irreparável. Voluntários dos Movimentos, alunos da UFBA, que freqüentam o campus de Ondina, estarão fazendo visitas para observar os trabalhos nas obras de construção.



A UFBA cometeu um crime ambiental. Se foi praticado por empresas terceirizadas desavisadas, desinformadas, descuidada com o que limpar ou preservar, mostra a falta e critério da instituição na seleção de quem deve ter competência e responsabilidade com o patrimônio publico natural.



“É realmente vergonhosa a situação e muito mais constrangedora pelo fato de se tratar de uma ação da Universidade, que deveriam, como porta de conhecimento e pesquisa, condenar intervenções dessa natureza. A instituição UFBA, que tomou a decisão de desmatar a área sem um estudo prévio e sem uma alternativa de proteger as espécies ali existentes, me deixou envergonhada”. Jacy Nunes, jornalista.



“Tomei um susto quando fui chamado pelo Movimento AMA para fotografar e quando cheguei lá, aquele clarão enorme, fiquei realmente chocado. O Campus de Ondina é conhecido e reconhecido pela diversidade, pelo verde, pela preservação, matas fechadas, ambiente que os estudantes sempre gostaram para poder respirar melhor. Já participei de muitos eventos, congressos, encontros no Campus e fiquei muito triste”, declara Alen Ebert, aluno de Publicidade da UCSal e voluntário do Movimento AMA.



Desrespeito aos pesquisadores



A professora Simone lamenta que no ano da Biodiversidade é vergonhoso a forma como a administração da UFBA, que sempre se eximiu de políticas de divulgação científica dentro da Universidade, venha desrespeitar nossos pesquisadores "ecólogos", biólogos e especialistas, alegando que a área não possui espécies em extinção conforme divulgado na mídia..Mas essa não é a questão, pois não há espécimes em extinção. Mas a lei é clara quanto à proteção de animais silvestres que vivem no Memorial da Mata Atlântica no Campus de Ondina.



Papel do jornalismo



Outro aspecto que chamou a atenção da professora é o papel que cumpre as Assessorias de Comunicação em instituições de pesquisa em nosso país. A Associação Brasileira de Jornalismo Científico esclarece que essas assessorias devem, de forma igualitária, divulgar as pesquisas em andamento nessas instituições independente de suas áreas como compromisso com a cidadania, com a democratização do conhecimento, além de tornar público os investimentos pagos na verdade com os impostos dos contribuintes. A Assessoria de Comunicação da UFBA deveria esclarecer sobre as fontes que poderiam estar disponíveis na instituição para disponibilizá-las para a imprensa. O papel é contribuir nesse momento com esclarecimentos sobre os conceitos como Diversidade Ecológica, Animais Silvestres, Mata em Recuperação, Lei Ambiental, Desmatamentos, dispersores de sementes, fauna e flora.



Perda irreparável



O desmatamento, as queimadas e a destruição de biomas em diferentes regiões do país, já são a causa de nossos problemas no mapeamento da biodiversidade brasileira. Ela lembra que ouviu do professor Thomas Lewinson, da Unicamp, presidente da Associação Brasileira de Ciências Ecológicas, que nós levaríamos 2000 mil anos para mapear a biodiversidade brasileira, isso se respeitássemos nossas matas do jeito que estão atualmente. E tece um paralelo sobre a riqueza da nossa biodiversidade ao lembrar que esse professor informou, durante um congresso, que numa folha de cacau podem ser encontradas 150 espécies de fungos. Imaginem o que poderia ser encontrado nessa vasta área desmatada do campus de Ondina se todas as espécies tivessem sido mapeadas pelos pesquisadores da instituição?









Arvores cortadas sem critério de manejo



Protesto contra descompromisso



As respostas da UFBA sobre o fato não são suficientes para nos convencermos da necessidade de construção desse prédio numa mata que levou quase 30 anos para se recuperar e que em questão de horas estava no chão. Se não fosse a boa vontade de professores e estudantes de Biologia em retirar alguns animais como cobras e lagartos, a matança seria feita por homens com suas máquinas. Considera o problema grave porque somos educadores de uma instituição federal. Protesta e sugere compromissos com um jornalismo ambiental investigativo, ouvindo o maior número de fontes possíveis, pesquisadores que vão desde o campo biológico as c ciências sociais e humanas. Fontes como IBAMA e Ministério Público, o reitor e sua equipe, os que pensaram no projeto da UFBA Ecológica e outros que devem terão muito a dizer sobre o fato, já consumado, no Campus de Ondina



Liliana Peixinho* - Jornalista, ativista, pós graduada em mídia e meio ambiente, cursando pos-graduacao em Jornalismo Cientifico da FACOM – UFBA.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Midias e Cidadania Ambiental


Encontro da jornalista/ativista ambiental com Marina Silva
momento de inspiração e coerência entre discuso e prática.
 
Liliana Peixinho *
 
O papel da mídia na construção da cidadania ambiental é pauta corrente, urgente e desafiadora no processo de mudança de comportamento que o planeta está a nos exigir para garantir a vida, com harmonia e decência. Apesar de ser consenso entre jornalistas, ambientalistas, ativistas e até empresários conservadores, o desafio é sensibilizar editores, diretores, proprietários de grandes veículos, empresariado e público consumidor de notícia, sobre a necessidade de informações didáticas na agregação de valor construtivo para uma interação harmoniosa entre produtor, consumidor e a matriz: recursos naturais.

 
Jornalistas especializados na área de jornalismo ambiental como Silvestre Gorgulho, diretor da Folha do Meio Ambiente; Washington Novaes, escritor e jornalista dedicado à área; Sinval Leão, diretor da Revista Imprensa; Nely Zulmira, criadora do Repórter ECO; André Trigueiro, do Programa Cidades e Soluções da Globo News; Vilmar Berna, da Rebia e Portal do Meio Ambiente; Dal Marcondes, da Agencia Envolverde; professora doutora Simone Bortoliere, Facom- Bahia e vice-presidente da ABJC- Associação Brasileira de Jornalismo Científico, dentre muitos e muitos outros Brasil afora, vem se especializando continuamente para ocupar demandas reprimidas.

 
A pauta interna das redações sobre o seu papel na construção da Cidadania Ambiental precisa de aprofundamento, cuidado com os detalhes, para a produção da informação com qualidade. Questão que requer compromisso do jornalista/repó rter na disposição pessoal de investigar e confrontar fontes diversas para retratar fatos. Compromisso que deve ser extensivo aos proprietários dos veículos em sua representação histórica do poder de decisão no quê, como, quando, quanto e onde, será dada, ou não, uma informação.

 
A sobrevivência da mídia alternativa ambiental é pauta constante de discussão entre especialistas e o problema é sério para garantir, ou não, a publicação da próxima edição da revista, do jornal, da manutenção do site ou blogs que precisam de captação/banners, parceiros como contrapartidas financeiras para estar ou não no ar. Se as novas ferramentas midiáticas abrem possibilidades para o jornalismo cidadão, para a democratização da informação, para a inclusão digital, também coloca em cheque a qualidade e credibilidade da noticia.

 
Para continuar desenvolvendo trabalhos independentes, investigativos e comprometidos com a construção de uma nova forma de ver e sentir os alertas dados pelo planeta, precisamos mesmo continuar na sala de aula reaprendendo como informar bem para garantir o uso da informação em favor da vida, com qualidade. Perdemos colegas de trabalho cada dia mais cedo por problemas de saúde que poderiam ser evitados como estresse, estafa, câncer de estomago, pulmão, acidentes. No entanto, como profissionais especialistas em absorver problemas, ainda não conseguimos garantia de recursos para construir a vida, com qualidade. As empresas de comunicação, os grandes produtores de poluição, a sociedade em geral, e cada pessoa, individualmente, são chamados a mudar de comportamento. Essa mudança não tem se mostrado fácil. Historicamente não fomos educados para preservar, mas para consumir demasiadamente num modelo econômico, perverso, e agora em cheque. Ainda não temos a cultura de utilização racional dos recursos naturais rumo à construção do novo paradigma da sustentabilidade cidadã.

 
A Sociedade é alimentada, diariamente, por uma política perversa de consumo de água, energia, alimentos e diversos produtos originados/alimenta dos por cadeias produtivas insustentáveis, de ponta a ponta, desde a exploração da mão de obra do trabalhador, passando pela falta de qualidade do produto, a balanços patrimoniais com lucros exorbitantes para o produtor, sem contrapartidas de reposição da capacidade do planeta, cada dia mais limitada, em repor esses recursos. O desafio de promover o desenvolvimento, a melhoria da qualidade de vida, de forma racional, cuidadosa, planejada, disciplinada, com prazer, alegria e consciência, ainda não é uma prática comum dos humanos. Aliás, consciência é atitude rara no senso comum dos “racionais”. E quem tem e pratica com razão (cérebro), emoção (coração) e espírito (alma) é alvo de criticas debochadas e irritantes. Infelizmente a realidade aponta um caminho longo e com desafios cotidianos crescentes para a adoção de ações verdadeiramente sustentáveis.

 
O pensar e fazer transversal, proposto pela ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva, candidata a presidente do Brasil, poderia ser lida com outro foco, como ação de valor multiplicador, em todas as esferas de decisão política, seja nas instituições do governo, Ongs e/ou paralelamente, em cada pessoa, na construção civilizada de uma cidadania ambiental.

 
* Jornalista, ativista sócioambiental, especializada em Mídia e RSE - Responsabilidade Social Empresarial, fundadora dos Movimentos AMA e RAMA – Rede de Articulação e Mobilização em Comunicação, Coordenadora dso Núcleo de Divulgação Cientifdica do Curso de Jornalismo Científico da Facom - UFBa  http://www.amigodomeioambiente.com.br/

domingo, 11 de abril de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PROTAGONISMO INDIGENA NA SERRA DO PADEIRO



























































































































































































































































































Por : Liliana Peixinho - Ativista ambiental

A nova ordem mundial, pós efeitos negativos das mudanças climáticas, nos mostra a urgência de corrermos atrás de prejuízos históricos, como a dizimação das florestas e do povo que dela tenta cuidar, para viver. Os desafios são enormes, como esse em pauta, sobre a publicação recente, na Revista Época, de matéria com a Serra do Padeiro. O conteúdo apresenta uma contextualização questionada pelas lideranças comunitárias indígenas, com muita propriedade, em carta assinada pelas lideranças, agora, dia primeiro de dezembro. Quem estudou os problemas da comunidade, viu de perto o que eles fizeram em tão pouco tempo, com tão pouco apoio, e com tanto saldo positivo, tem a obrigação ética de mostrar, divulgar, a Serra do Padeiro como um santuário ecológico, uma reserva, um paraíso ecológico, muito bem cuidado pelos índios e que não pode, de forma nenhuma, ser preterido por práticas que só agora estamos a ficar atentos, pós massacres de serras elétricas, substituição de florestas por pastos de gado, plantação de eucaliptos ou exploração turística predatória, com práticas insustentáveis.

Estive na Serra do Padeiro há pouco tempo, fui recebida pelo Cacique Babal e outros representantes da comunidade e sou testemunha do protagonismo indígena na prática da autosustentação, através de organização cooperativada. A Serra do Padeiro tem um sistema de agricultura familiar que deve ser modelo de vida não só para outras aldeias como para outras comunidades tradicionais esquecidas, perseguidas e massacradas historicamente. A avidez do ganho fácil empresarial ou descaso político para a garantia de direitos, assegurados, como a terra, mas não garantidos, estão sabiamente questionados por eles, que reaprendem, resgatam costumes correndo atrás, se informando, se especializando, para tentar garantir o que sabem ser de direito.

O cacique Babal, liderança Tupinambá Serra do Padeiro, é um homem proativo, que valoriza as tradições, tem compromisso com a agricultura sustentável, sabe ouvir a comunidade, balizar e conduzir confrontos. Eles focam suas atividades no quê, quando e onde plantar, como e quando colher, cuidar, distribuir na comunidade para garantir o sustento da atual e futuras gerações. Essa pauta é constante para garantir a terra, base para a vida de todos. Esse cotidiano é fato e deve ser replicado ao mundo, onde ainda se passa fome porque não sabemos fazer como eles, cuidar, preservar, pensar no futuro, nos outros, de forma harmoniosa com a natureza, de onde tudo tiramos limpo e para onde tudo devolvemos sujo.

Autosustentação comunitária
A proposta de autosustentação Comunitária na Aldeia Serra do Padeiro é resultado da luta coletiva diária dos guerreiros índios tupinambás. Com aproveitamento do potencial da terra e da vontade da comunidade em depender cada vez menos de ir à cidade comprar qualquer coisa, o Cacique Babal e lideranças da comunidade Indígena Serra do Padeiro são exemplo multiplicador do que está acontecendo de bom em sua aldeia, para que outros povos possam seguir o mesmo caminho.

A filosofia e prática do trabalho se dá através da valorização e resgate de ações verdadeiramente harmoniosas, com coragem, determinação, disciplina e resultados positivos de povo que trabalha duro, com exemplos de orgulho comunitário, ao saber driblar as adversidades com criatividade, alegria, auto-estima e luta diária do povo Tupinambá da Serra do Padeiro.
Eles são cerca de 900 pessoas, pertencentes a 180 famílias, distribuidas em 17 mil hectares de terra, num território abençoado pelo encanto e presenças divinas, onde as chuvas, constantes, são apenas um dos caminhos para se colocar em prática, a máxima de que “se plantando, quase tudo dá!”. Na Aldeia Serra do Padeiro Tupinambá a presença dos “encantados” pode ser constatada a cada metro que se anda, em meio uma floresta rara, de mata atlântica, onde a biodiversidade é tão rica e presente quanto a própria consciência de cada índio em preservar a área como um presente de Deus, ou dos deuses da mata, como condição para a garantia das futuras gerações, que eles fazem questão de incentivar.
Biodiversidade encantada


No levantamento que fiz com o pajé da tribo tupinambá Serra do Padeiro pudemos identificar uma riqueza biodiversa na serra encantada, divina e rica composta por jequitibás, ararobas, sucupiras, vinhático, aletrinas, cobis, gameleiras, timbaubas, burundangas, pausangue, loros, cedros verdadeiros, cedros cabecinha, buraens, cundurus, oiticicas, jangadas, paus darco, jueranas, mussutaibas, imbirucus, biribas, angicos, pinhos, jacarandás, sapucaias, oitis, biquibas, baraúnas, jacarandás, pinhos onde, da suntuosidade de suas alturas, viviam em harmonia com espécies menores, um pouco mais baixas que elas, a exemplo de outras espécies como murtas, aracás, batingas, mudumrurus de rego, mudunrurus de ferro, mudumrurus cabelo de cotia, ingauçu, cipó de cravo, pai de cravo, cipó dalho,peão, cansação, virasaque, pindaíba, catirina, bapeba, jiniparana, abacate, unha de gato, jenipapo, motibando, onde índios e não índios se embrenhavam mata adento, sem medo, pra buscar o que comer na verdadeira autosustentação, propiciada por outras espécies , de frutas, como banana, laranja, jenipapo, tangerina, cacau, limão, manga, figo pinha, goiaba, coco , dendê além de tubérculos como aimpim, babata doce ou legumes como chuchu, jiló, frutapão, beterraba, maxixe, mangustão, taioba ou grãos como feijão e milho.
Festa dos bichos

E havia a festa dos bichos como corsas, caititus, capivaras, pacas, jupararás, quatis, guaxinins, tatus verdadeiros, tatus rabo de couro, tatus peba, sarues, raposas, cachorros da mata, gatos da mata (ou do mato), sussuaranas parda e pintada, gatos Açu. jupatis, papas-mel, teiús, cotias, lontras, caxixis, preguiças, calangos de coleira, calangos vermelhos, bacurais, caburês, sabiás de paus, formigões. Além de aves que voavam de uma para outra árvore, a exemplo de sangue de boi, sete cor, lavadeiras, guris, periquitos, assanhaços, bem-te-vis, sabiás, assanhaços, sofrês, papa-capins, chorões bigodes, curiós, pássaros-preto, anuns, japus, pica-paus, jandais, cuiubinhas, jandaís, arma de gato, juritis jacupenbas, aranquans, mutiuns, pardais, chorões, nambus, tucanos verdadeiros, tucanos araçaris, tucano de sapos. tucano paós, canarios, bastiões, martin pescadores, socos, quero-queros, perdizes, garças beija-flores, xoros, chupa-limas, pimentões, escarros, garrinchas, azulões,arapongas, sete cores, curujões, corujas, vó da lua, sapucaias, numa comunhão que jamais veremos, com outros bichos aquáticos como: jacarés, traíras, berés, jundiais, piabas, piaus, acauans, tucunares, pitus, cobras preta,entre muitas outras espécies de uma biodiversidade perfeita, que deve ter dado muito trabalho para os estudos de Darwin e que, infelizmente, as futuras gerações só saberão da existência desse paraíso, dessa biodiversidade local, se dermos a chance delas resistirem nesse ritmo insensato de destruição.

Publicação , pesquisa e proteção
É desejo das comunidades que esse registro, narrativo e fotográfico iniciado em dezembro de 2008, possa ser continuado para a edição de uma publicação, catálogo, para que as futuras gerações e pesquisadores possam reforçar a necessidade, urgente, de preservar o que restou, assim como disponibilizar em sites, blogs e ambientes virtuais para o crescimento da inclusão digital nas aldeias. Essa expedição fotográfica pelas florestas indígenas integra o trabalho de pesquisa in loco, dessa jornalista, iniciado nos anos 80, a partir de visita a comunidades tradicionais indígenas como a aldeia mãe Pataxó, Caraívas, Ponta de Corumbau, e outras localidades do sul da Bahia e Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Para esse povo que sabe bem o que precisa para viver bem, que já perderam tudo ou quase tudo e que, agora, estão querendo proteger, com unhas, dentes, tacapes e zarabatanas o pouco do restou, para os filhos e netos, fica mesmo difícil entender a defesa de empresários que praticam a monocultura, seja de eucalipto, soja, cana de açúcar, mamona, cacau. ou qualquer outra. Num pais abençoado por Deus e repleto de gente bonita, guerreira, disposta a pegar na enxada, cantando, mas ainda com fome, é inaceitável qualquer idéia que mate, dizime, continue extinguindo paraísos como o da Serra do Padeiro. Se o Brasil realmente que ter compromisso com sustentabilidade precisa deixar, em pé, o que restou das nossas das florestas, com desmatamento zero e para isso precisa conter o ávido desejo do agronegócio predatório.
Cooperatismo autosustentável

O sistema de cooperativa, agricultura familiar, desenvolvido entre homens, mulheres e jovens da Serra do Padeiro, pode ser traduzido na seguinte expressão do cacique Babal ”A gente não se preocupa com o que vai vender e lucrar, e sim com o que vai comer pra não passar fome.” Estive pesquisando diversas tribos indígenas do Nordeste, como os Trukas, Tumbalalas, (durante a greve de fome do bispo franciscano Dom Luiz Cappio, em outubro de 2005 Kaimbes, Kiriris (Mobilização Território Indígena) Tupinambas ( Reforma do Estatuto do Índio) entre outras, e penso que a Serra do Padeiro deve ser divulgada como um exemplo multiplicador do que os índios nos ensinaram, ao longo da história, e que, ano a ano, década a década, século a século, foi sendo negado, esquecido ou subvertido em análises apressadas, descomprometidas ou favoráveis ao massacre indígena testemunhado mundo afora.

Será se ainda não pudemos entender que entre o que índio tenta fazer, em harmonia com a natureza e sem os apoios necessários, e o que os empresários veem fazendo, há séculos, de forma predatória, ainda temos que ter dúvidas do que é melhor para preservar as riquezas de um Brasil que chama a atenção do mundo, com liderança, exatamente porque ainda somos o topo da megabiodiversidade do planeta? A pergunta poderia ser: até quando, como e o quê precisamos fazer, ou não fazer, para continuarmos com esse patrimônio natural que é o Brasil, mas que vem sendo dilapidado, irresponsavelmente?
Na Serra do Padeiro tem pessoas com muita sensibilidade, espíritos antepassados de resistencia e muita coragem para trabalhar e esse é um patrimônio de valor inestimável.
Veja o texto recebido

Da comunidade Serra do Padeiro

Para: Sexta Câmara, FUNAI, Ministério da Justiça, Secretária de Justiça do Estado da Bahia, Câmara de Deputados da Bahia, Governo do Estado da Bahia, Comissão Nacional de Direitos Humanos, e demais autoridades.

Para: APOINME, CNPI, CIMI, ANAI, CESE e demais parceiros.


Prezados Senhores.

Viemos por meio desta externa toda nossa indignação e revolta com a matéria publicada na revista época de 23 de novembro de 2009, quando de forma preconceituosa e difamatória tenta retratar a nossa liderança como um Lampião. A repórter Mariana Sanches e o fotografo Marcelo Min, tiveram a oportunidade de conhecer muito de nossa comunidade, as nossas produções, as nossas casas de farinhas, o nosso colégio, as nossas crianças. Tiveram a oportunidade de desfrutar de toda nossa hospitalidade e conhecerem muito de nossa luta pelo resgate de nossas terras. Mas de forma mentirosa desviou todas as nossas informações, mudando inclusive muita das informações prestadas.
Apesar de nossa revolta com a matéria da época, este tipo de atitude da revista não é nenhuma novidade para a comunidade Tupinambá, pois aqui na região os jornais locais, as rádios em especial as AM, a televisão constantemente fazem isto, nos tratam de forma preconceituosa e difamatória. Por exemplo, o radialista Ribamar Mesquita de Rádio Jornal de Itabuna constantemente usa de seu espaço nesta rádio, para nos acusar de vários crimes, nos difama e até incita a população regional contra a nossa comunidade. Os Jornais Agora e a Região também de Itabuna nos trata de forma preconceituosa nos chamando de falsos índios, publicando sempre matérias contra a nossa comunidade e também colocando a sociedade contra a nossa comunidade. Mas acreditamos que a culpa da não é só deles, pois a nossa comunidade tem feita várias denuncias sobre esta situação, já vieram várias comissões de Direitos Humanos aqui nas nossas aldeias e estes fatos já foram colocados, e como nada foi feito eles se sentem fortalecidos e no direito de continuar nos atacando, o sentimento de impunidade, de superioridade e o dinheiro de quem os patrocinam fazem com que estas mentiras divulgadas pelo Meios de comunicação se tornem quase uma "verdade absoluta". Uma outra situação colocado pela matéria é a posição do delegado Cristiano da Policia Federal e o resultado do inquérito que apurava a tortura conta membros da nossa comunidade, por varias vezes solicitamos das autoridades que um outro delegado viesse acompanhar as investigações, não fomos atendidos e portanto não é nenhuma surpresa que o resultado do inquérito foi que os policiais não cometeram nenhum crime. Que outro resultado poderia sair de um inquérito que é conduzido por um delegado que é o coordenador do comando da operação que terminou resultando na pratica de tortura? Seria esperar muito, que o inquérito apontasse um outro resultado, apesar de todas as provas mostrarem que a tortura foi praticada.
A comunidade encontra-se bastante preocupada, pois a história de perseguição e calunias se repete, os mais velhos nos lembra, que no passado a nossa liderança Marcelino também foi chamado de Lampião e que chefiava um bando aqui na região, colocaram premio pela sua cabeça e diante da falta de autoridade e de nada ser feito a nossa liderança foi assassinada, e o mais impressionante é que após quase cem anos a história se repete do mesmo jeito e com os mesmos atores, esperamos que desta vez a história não tenha o mesmo final.
Um dado interessante que a revista coloca e isto demonstra para todos nós os reais interesses que tem por trás de toda esta trama, é a presença de muita gente grande por trás destas ações, como o banqueiro Arminio Fraga um dos invasores de nosso território, portanto desta vez as Organizações Globo com esta matéria tendenciosa e mentirosa não esta defendendo apenas os interesses dos outros mas também o dela mesmo. Aliás a Globo já mantem esta prática, de defender os interesses dos grande latifundiários, dos banqueiros, dos políticos que a ajudam a se manter no poder contra as pequenas comunidades a muito tempo.

Diante de tudo isto, e de todos estes fatos relatados e os já conhecidos por todos vocês, viemos mis uma vez solicitar que providencias sejam tomadas, mas providencias de verdade. Não dá mais para ficar ouvindo promessas, ficar recebendo visitas, sermos ouvidos por muitas autoridades e não sentimos que as coisas estão andando. Acreditamos que é preciso fazer ainda mais e agilizar a resolução da demarcação de nossas terras. Que haja um esforço ainda maior das autoridades envolvidas nesta questão em esclarecer e resolver esta situação, como por exemplo, o esclarecimento e os encaminhamentos para que os pequenos produtores sejam reassentados, suas benfeitorias sejam indenizadas, este procedimento pode resultar na retirada de cena de pessoas má intencionadas que tem usado os pequenos agricultores para realizarem seus interesses políticos, colocando os pequenos agricultores contra a nossa comunidade com o repasse de falsas informações. São estes políticos envolvidos e empresários da região que viram seus interesses abalados pela nossa ação que tem financiado toda esta ação contra a nossa comunidade, a própria matéria da revista época deixa isto muito claro. Eles trazem gente de fora, eles bancam e com certeza devem pagar aos jornais, revistas, radialista para que nos ataque. Vale lembrar que a nossa ação feriu os interesses do tráfico de droga da região, tráfico de animais silvestres, do comércio de madeira ilegal, do agronegócio e isto tem mexido nos bolsos deles.

Por fim, pedimos a todos: autoridades, parceiros, aliados, sociedade regional, nacional e internacional, não deixem que a história se repita com o mesmo final. Queremos apenas viver e lutar pelos nossos direitos e em especial a nossa Mãe Terra. Ela nos pertence. Não permitam que mais uma vez os invasores sejam os vitoriosos nesta história. BASTA DE MASSACRE, DE EXPLORAÇÃO, DE MENTIRA, DE CALUNIA, DE IMPUNIDADE.

Serra do Padeiro, 01 de dezembro de 2009.

Comunidade Serra do Padeiro

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

OUSADIA PUBLICITÁRIA AMBIENTAL








Ousadia e compromisso com o meio ambiente

premia nova geração de publicitários, na Bahia

A equipe de alunos de Comunicação – Publicidade e Propaganda - da Universidade Católica de Salvador, formada por Alen Peixinho, Daniel Cerqueira, Felipe Seixas, Márcia Luiza e Renata Paduan, depois de desbancar centenas de equipes de diversas faculdades, classificados como finalistas, fizeram apresentação pública no Promojob, dia 07 de Novembro, Hotel Fiesta Convention, em Salvador, Bahia e faturaram dia, 10.11, no resultado final, o premio de “Destaque em Adequação ao Briefing” pela apresentação da Campanha “ECO COPA IGUATEMI”.
Cientes de que os padrões de consumo e produção são ditados, orientados, estimulados pelas campanhas publicitárias, alunos como Alen Peixinho, 7° semestre, um dos criadores da campanha ECO COPA IGUATEMI considera que a Comunicação, a Publicidade, a Propaganda exigem uma nova forma de pensar e executar conteúdos que criem novos conceitos, levando mensagens educativas para o consumidor para fazer a diferença no mercado, ainda viciado em modelos de consumo predatório, não consciente, exagerado, com desperdicios de tempo, material e trabalho humano.
A equipe inscreveu o trabalho no Promojob 2009, iniciativa da Invent Idéias Promocionais, em parceria com o Shopping Iguatemi, cujo objetivo é o estimulo à criatividade e participação de estudantes dos cursos de Comunicação Social, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Administração e Marketing das instituições de ensino de graduação da cidade de Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari, para a escolha da melhor ação promocional criada. A turma de alunos da ECO COPA, linkada com os desafios atuais da nova economia circular, que exige o uso de tecnologias limpas, de preservação e harmonia com os recursos naturais, propôs uma campanha interativa com o público, com uso de material educativo, incentivo ao consumo consciente e de baixo custo para execução das peças. A caricatura de personagens típicos da cultura de alguns países que estarão na Copa do Mundo de 2010, como a Gueixa (Japão) o Mariachi, (México) ou a Indumentária Tribal (África), em cena durante a apresentação, reforçou a proposta de irmandade, união e difusão cultural entre os povos dos 32 países da Copa do Mundo. Informação e transformação Mais do que entender os efeitos negativos provocados pelo Aquecimento Global, Daniel, Felipe, Márcia, Renata e Alen, reforçam, com a campanha “ECO COPA”, a idéia de compromisso com a informação como instrumento de poder para a transformação de mudanças que o Ser Humano necessita para enfrentar obstáculos, abrir mão de comportamentos egoístas, imediatistas, superficiais e meramente repetitivos, convencionais, para transgredir, subverter e quebrar regras milenares em nome da dinâmica natural das leis do Universo, com renovação, invenção, criatividade e compromisso com a gerações futuras, com a Vida. No momento em que observamos campanhas publicitárias com apelos ambientalistas longe de práticas realmente sustentáveis, sem coerência com o que divulgam, já que escolas, agências de publicidade, empresas e perfis de consumidores ainda resistem a práticas e atitudes para mudança no padrão de consumo, a turma de alunos da Campanha Eco Copa Iguatemi trabalhou com idéias ousadas, inovadoras, criativas e de baixo custo, provando que ações verdadeiramente “sustentáveis”, exigem cuidados com a cadeia produtiva sustentável de ponta a ponta, satisfazendo o consumidor, o produtor e claro, a matriz energética de onde tudo é retirado para ser usado, a natureza.
.Contatos:Alen Peixinho – 71 – 9949-6382http://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=alenpeixe@gmail.comhttp://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=dancerqueira07@hotmail.comhttp://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=lipe_seixas@hotmail.comhttp://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=maludepinho@hotmail.comhttp://br.mc301.mail.yahoo.com/mc/compose?to=repaduan@hotmail.com

domingo, 8 de novembro de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

Esquerda adormecida


Peço sua permissão, leitor, para exercitarmos juntos, aqui, um jornalismo cidadão reflexivo, através de perguntas clássicas para tentarmos nos situar na atual crise mundial, entender o que se passa, quem está causando o que , por que não estamos avançando nas mudanças necessárias, para onde queremos ir, como isso é possível, e até quando vamos adiar a garantia de direitos conquistados.
Pergunto, Que tipo de crescimento o Poder Político opera numa sociedade com projeções atuais de 50 milhões de desempregados? Que modelo de consumo vamos adotar depois do fracasso irresponsável e ganancioso dos americanos de um lado; da massificação chinesa na venda de produtos descartáveis sujos, frutos da exploração de 800 milhões de operários; e na incontrolável guerra que envolve povos cujos domínios religiosos ortodoxos históricos parecem não avançar jamais?
Qual o papel do Estado que vamos querer ao sentirmos os efeitos econômicos criminosos de regulamentações, ou falta delas, que, historicamente , só tem favorecido a concentração de renda dos que já são muito ricos, e distanciado o sonho socialista da distribuição de renda entre os que são muito pobres? Se parássemos de produzir inutilidades/lixo para nos concentrarmos na distribuição do que já temos em excesso, em alguns lugares e pessoas, para outros espaços e pessoas, que não tem nada ou quase nada, não poderia ser uma grande revolução?
Quem está fazendo uma revisão histórica dos modelos capitais em pauta para que o grande responsável pelo acúmulo da mais valia para o patrão, o operariado, possa se organizar como ponto de pressão de classe trabalhadora para o ressurgimento da esquerda, adormecida? Que tipo de retorno político pode gerar a indignação de eleitores que veem seus eleitos usando fartas e gordas verbas de gabinete, com direito a tudo e um pouco mais, em contrapartida à humilhação de cidadãos morrendo à míngua pela falta de acesso a direitos básicos mínimos como uma casa limpa, um corpo saudável e uma mente ativa/criativa ?
Por que o governo de um país faz questão de marquetear, mundo afora, o perfil psicológico/estético de um presidente que parece ter esquecido a luta operária, orgulho para sua escolha, em nome de um neoliberalismo que uniu o Brasil para combatê-lo no histórico impeachement presidencial ? Mais importante que multiplicar elogios “espontâneos” de lideres mundiais interessados nas riquezas brasileiras, não seria ver que as pesquisas de popularidade deveriam ser bem mais reais do que mostram os programas pagos para veiculá-las? E potencializar as riquezas do Brasil para os brasileiros? Mas nós jornalistas, mostramos, todos os dias, e muita gente não quer ver, as grandes e dolorosas feridas, em corpos, mentes e almas de brasileiros guerreiros.
Quando a Política estruturante, de grandes linhas, comprometida com o futuro, com o trabalhador, com o cidadão, substituírá a atual pequena política, partidária, preocupada só com a simples substituição /revezamento de cargos, sem os compromissos sociais apaixonantes como a defesa da vida harmoniosa e civilizada nesse planetinha em eterna ebulição?
Como a ganância do capitalismo, que levou á crise atual, pode se transformar numa grande oportunidade para a construção de um novo paradigma que simplifique o complicadíssimo economez, que insiste servir o acúmulo de capital para quem sempre se beneficiou dele, e multiplique a cultura da vida simples, onde a harmonia e bem estar não se vinculam ao acúmulo de carros na garagens, construção de castelos inabitados, capital financeiro virtual especulativo, e posse de bens materiais que em nada eleva a condição humana na cadeia de vida verdadeiramente sustentável , em harmonia com a Natureza, origem da Vida.
Liliana Peixinho – DRT 1.430 - Jornalista, ativista sócioambiental. Fundadora do Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente www.amigodomeioambiente.com.br
falandonalata.wordpress.com